Desonrada (1931) de Josef von Sternberg

Desonrada (1931) de Josef von Sternberg

Sternberg zela sempre pela espacialização da cena, entretanto, arruma soluções otimizadoras para enquadrar espaços amplos. O baile de carnaval, por exemplo, não é apresentado com clareza. Há um excesso de serpentinas e sons para um ambiente escasso de pessoas e elementos cenográficos. Para um espaço como este, que foge a excelência da espacialização, Sternberg reconfigura as interações como se o som não se propagasse da mesma forma (a música toma conta desta cena) e os corpos não se locomovessem em cena seguindo uma lógica.

X27 está acima (não sabemos exatamente quanto) de seu espionado. Todos dois mascarados e com os olhos quase inteiramente tampados.
Ela o chama jogando confete e os dois se comunicam por meio de balões e pássaros falsos. Os figurantes, também mascarados, sopram “línguas-de-sogra” uns para os outros.
Quando X27 se encontra com o homem, descobre que ele não pode se locomover sem muletas.

A pequena sequência de guerra é consequência da misteriosa composição musical da agente. É menos uma batalha que um espaço incompreendido; impossível de espacializar.

Sternberg remodela as configurações espaciais para a demanda de cada cena, o único fato imutável é a sensualidade de X27 que independe da lógica ambiente para se manifestar. Viva ou morta, sem medo.

por Gabriel Linhares Falcão

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