A Visão de Tondal (2019) de Stephen Broomer

A Visão de Tondal (2019) de Stephen Broomer

Stephen Broomer é atualmente um dos melhores cineastas que trabalham com película. Um diretor e restaurador que tem total domínio sobre o material fílmico e ainda assim busca experimentar e desvendar os limites visuais da matéria. Assim como seu pai, Stuart Broomer (compositor musical dos filmes do filho), parece ter a mesma busca no som.

A Visão de Tondal (2019) é um inferno da degradação. Broomer utiliza apenas imagens do filme L’inferno (Giuseppe de Liguoro, Francesco Bertolini, Adolfo Padovan, 1911) para dar forma ao lugar onde ele não quer que os filmes se percam (considerando sua outra ocupação de restaurador/preservador). Retomando o ponto-chave de seu último trabalho, Potamkin (2017): o terror das imagens é figurado por meio da degradação. Esta é proveniente da experimentação na edição e nos processos químicos com os rolos de filme. O que resulta em composições multicoloridas e vibrantes, combinando tons contrastantes que se sobrepõem em camadas de relevo visualmente rochosas. As imagens ressaltam e deturpam os movimentos expressivos dos corpos da obra de 1911, criando uma relação dramática entre as experimentações de Broomer e os corpos, que parecem ser afetados pelos diferentes ritmos dos visuais.

Para um diretor que também é restaurador, arrisco dizer que estes dois filmes são suas obras de terror.

por Gabriel Linhares Falcão

Escrevi sobre Potamkin (2017) para o e-book do Estado Crítico do IV FRONTEIRA – Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental: http://www.fronteirafestival.com/doc/IV_Estado_Critico_Residencia_de_Critica_de_Cinema_Ebook.pdf

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