A Metamorfose dos Pássaros (2020) de Catarina Vasconcelos

A Metamorfose dos Pássaros (2020) de Catarina Vasconcelos

O plano final do olho de Vai e Vem encontra o plano inicial de A Metamorfose dos Pássaros formando uma grande elipse. O novo filme português de Catarina Vasconcelos poderia se chamar Vem e Vai. 

Sua gênese formal está nas palavras e a partir daí cria um ensaio de detalhes. Uma sucessão de histórias recordadas que não se limitam ao tempo e espaço pela poesia do texto. Histórias que vieram e foram para sempre. Contadas por corpos incertos que surgem apenas para se fundirem aos detalhes. 

As imagens tableau são metáforas do texto. Não de palavra para imagem ou de frase para imagem, mas sim de cena para cena. Uma cena se forma da memória escrita e a mesma cena se desdobra em composição pictórica. A metáfora no cinema como analogias pessoais, “x me lembra y” e não uma dependência do significado. X, o texto, bem pessoal, em paralelo com Y, as imagens, impessoais pela elaboração dos tableau; ensaios não naturais da memória mesmo utilizando majoritariamente a natureza nas composições. Um paralelismo de intensidade emocional constantemente elevada, que encontra seus picos nos cruzamentos com as memórias do espectador e as fabulações de seu futuro.

por Gabriel Linhares Falcão

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